Contra todos os imperialismos: em defesa da retomada do ser e do pertencer

Um bicho acuado e temendo a morte fica mais valente, tentará se defender de forma mais agressiva. E é isso que estamos vendo com esses saques à Mãe Terra. Eles precisam destruir mais rapidamente as águas, as matas, os mangues, as serras e tudo que é vivo, porque, a cada dia que passa suas taxas de lucro caem”. (Joelson Ferreira)

A humanidade encontra-se em uma encruzilhada histórica. O caminho a seguir pode nos levar a uma queda no abismo – um colapso ambiental que produzirá uma aniquilação socioeconômica sem precedentes – ou a construir uma alternativa, para nós: o Ecossocialismo. O Capitalismo conseguiu moldar a mentalidade de uma maioria da espécie humana, para a completa dissociação da natureza. Apesar disso, muitos povos resistem bravamente contra as garras do imperialismo que avança sobre terras e territórios, destruindo culturas, vidas e a relação com a ancestralidade e a mãe terra.

Por todas as partes do globo – na Palestina, nas Terras Guarani-Kaiowá, ou onde quer que haja interesse do Capital, ecoam gritos de denúncia contra o Capitalismo. A sanha para obter lucros infinitos explorando recursos finitos é insustentável. Não existe “Plano B” dentro de um sistema que transforma a nossa vida em mercadoria.

múltiplas crises – socioambientais, políticas e econômicas – em escala mundial, evidenciam a crise estrutural desse sistema, cujos gritos de agonia se expressam na intensificação de opressões de classe, raça e gênero, enraizadas nas ideologias, movimentos e governos de extrema-direita. O Capital rasga o véu de civilidade. Ganha força um novo mercado, baseado no monopólio de tecnologias e redes sociais. No pouco tempo de descanso, a atenção é roubada pelo marketing, e o consumismo alimentado por produtos à distância de um click.

O “desenvolvimento” das forças produtivas agrava a competição de capitais no mercado dos bens materiais e naturais e convertendo-os em ativos apropriados pelo capital financeiro. Assim, emerge a guerra pelo controle das terras raras, como das diversas fontes minerais e de novas fronteiras agrícolas, baseadas na monocultura dos países dependentes, na periferia do capitalismo. Nesse contexto, permanece a lógica de exploração dos combustíveis fósseis, especialmente do petróleo.

O racismo ambiental continua e se intensifica, sob as demandas da bipolarização interimperialista alavancada por EUA e China, que sangram a terra – e as águas – transformando nossos territórios em zonas de sacrifício. Os grandes projetos de infraestrutura do Capital cortam territórios acelerando a perda da biodiversidade na Amazônia e nos diversos biomas, ameaçando a vida de povos e comunidades tradicionais. A mineração no Brasil é exibida como modelo de produção de riqueza e desenvolvimento por grandes empresas – principalmente estrangeiras – defendidas por nossos governos, enquanto exaurem solos, contaminam rios e matam o nosso povo, sobretudo a população indígena. O aumento da concentração fundiária e dos conflitos no campo, expulsam pessoas em direção aos centros urbanos, onde as condições de vida são precárias e a negação de direitos básicos como moradia, segurança, educação e transporte definem quem vive e quem morre.

O Estado opera na defesa sistemática dos interesses das burguesias nacionais e internacionais. O Governo brasileiro não rompe com o projeto neoliberal infiltrado em todas as esferas de poder, principalmente nas casas legislativas. Qualquer avanço ou luta contra os retrocessos é cercada por negociações e ameaças de quem sangra o nosso povo, incluindo representantes da extrema-direita. O Marco Temporal Indígena, a ameaça da reforma administrativa e o desmonte da legislação ambiental testemunham a ofensiva contra o direito dos povos, dos trabalhadores e o aprofundamento da exploração do Capital sobre o trabalho e a natureza.

É urgente, regular o nosso “metabolismo” com os da natureza, objetivo completamente incompatível com a sociedade moderna capitalista. São necessárias mudanças profundas nas matrizes alimentares e energética por meio de uma transição ecológica, de caráter ecossocialista. Porém, mudanças nas formas de produção energética ou alimentar que reduzam impactos sobre o meio ambiente, mas que não rompam com a lógica do “lucro para poucos” e não visem a soberania energética e alimentar, apenas perpetuam e aprofundam desigualdades – como as produções predatórias das energias solar, eólica e do hidrogênio verde no nordeste brasileiro. A falácia do “desenvolvimento sustentável” fica cada vez mais evidente nas falsas alternativas ecocapitalistas, incapazes de promover justiça climática e mudar o curso do colapso ambiental.

É tarefa de hoje construir uma contra-hegemonia cultural que restaure a nossa ânsia por viver além do trabalho alienado – promotor de doenças e assassino dos nossos sonhos. É preciso abolir a escala 6×1, reivindicar de volta o nosso tempo roubado pelo capital, com o qual possamos alimentar o nosso espírito e descansar o nosso corpo, visando a plena emancipação humana.

Somente a construção e o fortalecimento de alianças internacionalistas entre explorados e oprimidos, serão capazes de enfrentar e transformar esse sistema de morte. É urgente substituir a fantasia de dominação sobre a natureza, a mãe terra, e se reintegrar sob uma perspectiva de valorização da vida com a retomada do ser e do pertencer a ela.

Por uma revolução ecossocialista, explorados e oprimidos do mundo, uni-vos!

Versão em Espanhol

Contra todos los imperialismos: en defensa de la recuperación del ser y del pertenecer

«Un animal acorralado y temeroso de la muerte se vuelve más valiente, intentará defenderse de forma más agresiva. Y eso es lo que estamos viendo con estos saqueos a la Madre Tierra. Necesitan destruir más rápidamente las aguas, los bosques, los manglares, las montañas y todo lo que está vivo, porque cada día que pasa sus tasas de beneficio caen». (Joelson Ferreira)

La humanidad se encuentra en una encrucijada histórica. El camino a seguir puede llevarnos a una caída al abismo —un colapso medioambiental que producirá una aniquilación socioeconómica sin precedentes— o a construir una alternativa para nosotros: el ecosocialismo. El capitalismo ha logrado moldear la mentalidad de la mayoría de la especie humana para que se desvincule por completo de la naturaleza. A pesar de ello, muchos pueblos resisten valientemente contra las garras del imperialismo que avanza sobre tierras y territorios, destruyendo culturas, vidas y la relación con la ancestralidad y la madre tierra.

En todas partes del mundo —en Palestina, en las tierras guaraní-kaiowá, o dondequiera que haya intereses del capital— resuenan gritos de denuncia contra el capitalismo. La voracidad por obtener beneficios infinitos explotando recursos finitos es insostenible. No existe un «plan B» dentro de un sistema que transforma nuestra vida en mercancía.

Las múltiples crisis —socioambientales, políticas y económicas— a escala mundial ponen de manifiesto la crisis estructural de este sistema, cuyos gritos de agonía se expresan en la intensificación de las opresiones de clase, raza y género, arraigadas en las ideologías, los movimientos y los gobiernos de extrema derecha. El Capital rasga el velo de la civilidad. Gana fuerza un nuevo mercado, basado en el monopolio de las tecnologías y las redes sociales. En el poco tiempo de descanso, la atención es robada por el marketing y el consumismo alimentado por productos a un clic de distancia.

El «desarrollo» de las fuerzas productivas agrava la competencia de capitales en el mercado de bienes materiales y naturales, convirtiéndolos en activos apropiados por el capital financiero. Así surge la guerra por el control de las tierras raras, como las diversas fuentes minerales y las nuevas fronteras agrícolas, basadas en el monocultivo de los países dependientes, en la periferia del capitalismo. En este contexto, persiste la lógica de explotación de los combustibles fósiles, especialmente del petróleo.

Los grandes proyectos de infraestructura del Capital atraviesan territorios acelerando la pérdida de biodiversidad en la Amazonía y en los diversos biomas, amenazando la vida de pueblos y comunidades tradicionales. La minería en Brasil es presentada como un modelo de producción de riqueza y desarrollo por las grandes empresas, principalmente extranjeras, defendidas por nuestros gobiernos, mientras agotan los suelos, contaminan los ríos y matan a nuestra gente, sobre todo a la población indígena. El aumento de la concentración de la propiedad de la tierra y los conflictos en el campo expulsan a las personas hacia los centros urbanos, donde las condiciones de vida son precarias y la negación de derechos básicos como la vivienda, la seguridad, la educación y el transporte definen quién vive y quién muere.

El Estado opera en defensa sistemática de los intereses de las burguesías nacionales e internacionales. El Gobierno brasileño no rompe con el proyecto neoliberal infiltrado en todas las esferas del poder, principalmente en las cámaras legislativas. Cualquier avance o lucha contra los retrocesos se ve rodeado de negociaciones y amenazas de quienes sangran a nuestro pueblo, incluidos los representantes de la extrema derecha. El Marco Temporal Indígena, la amenaza de la reforma administrativa y el desmantelamiento de la legislación medioambiental son testimonio de la ofensiva contra los derechos de los pueblos y los trabajadores y del aumento de la explotación del capital sobre el trabajo y la naturaleza.

LEs urgente regular nuestro «metabolismo» con el de la naturaleza, un objetivo completamente incompatible con la sociedad capitalista moderna. Se necesitan cambios profundos en las matrices alimentaria y energética mediante una transición ecológica de carácter ecosocialista. Sin embargo, los cambios en las formas de producción energética o alimentaria que reducen el impacto sobre el medio ambiente, pero que no rompen con la lógica del «beneficio para unos pocos» y no garantizan la soberanía energética y alimentaria, solo perpetúan y profundizan las desigualdades, como las producciones depredadoras de energía solar, eólica y de hidrógeno verde en el noreste de Brasil. La falacia del «desarrollo sostenible» es cada vez más evidente en las falsas alternativas ecocapitalistas, incapaces de promover la justicia climática y cambiar el curso del colapso medioambiental.

Es tarea de hoy construir una contrahegemonía cultural que restaure nuestro anhelo de vivir más allá del trabajo alienado, promotor de enfermedades y asesino de nuestros sueños. Es necesario abolir la escala 6×1, reclamar nuestro tiempo robado por el capital, con el que podamos alimentar nuestro espíritu y descansar nuestro cuerpo, con miras a la plena emancipación humana.

Solo la construcción y el fortalecimiento de alianzas internacionalistas entre los explotados y oprimidos serán capaces de enfrentar y transformar este sistema de muerte. Es urgente sustituir la fantasía de dominación sobre la naturaleza, la madre tierra, y reintegrarse bajo una perspectiva de valorización de la vida con la recuperación del ser y del pertenecer a ella.

¡Por una revolución ecosocialista, explotados y oprimidos del mundo, uníos!

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