Foto: Blanca Cruz / AFP
O Irã atravessa um dos momentos mais turbulentos de sua história recente. Ataques militares de Israel e do imperialismo dos EUA intensificaram a situação do continuado, persistente e ilegal cerco e sanções econômicas e diplomáticas ao Irã, piorando a situação econômica do país e as condições de vida do povo.
Nas últimas semanas, protestos iniciados a partir de comerciantes, se transformaram em manifestações massivas contra a crise econômica e contra o governo, tomando as ruas de Teerã, Mashhad e dezenas de outras cidades. Milhares de pessoas estão, desde o final de dezembro, nas ruas, protestando contra o governo do Aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã. Além das questões econômicas e sociais, se associaram outras questões como o direito de igualdade das mulheres, o combate ao autoritarismo e a defesa de liberdades políticas, mobilizando principalmente a juventude. Também passou a ter destaque a luta do povo curdo por sua independência nacional, tanto em relação ao Irã, quanto à Turquia, Síria e Iraque.
Essas manifestações, em princípio legítimas, passaram a ser apoiadas e manipuladas por organizações estatais, empresariais e privadas estrangeiras, especialmente ligadas aos EUA e a Israel, e a agentes diretos ou indiretos desses países. Um exemplo significativo foi o uso da Starlink, de Elon Musk, para apoiar as manifestações.
A resposta do governo tem sido uma repressão violenta e um apagão da internet, por isso é sempre muito difícil obter notícias confiáveis sobre o Irã. Já era assim, com o crivo do regime, por um lado, e agora soma-se à intervenção midiática das agências dos EUA e de Israel, manipulando permanentemente os fatos.
Por outro lado, os protestos escalaram e foram além de manifestações pacíficas, se transformando em ações violentas com grupos armados e atentados, inclusive a mesquitas e hospitais.
Informações preliminares dão conta de centenas, ou mais de mil mortos e presos entre os manifestantes, e cerca de 200 agentes do governo mortos. Mas, pelo menos até o momento, nada deteve as manifestações.
Como vimos, o estopim é a crise econômica e principalmente a inflação. Atualmente 1 dólar vale 4.200 rial, a moeda local. A inflação passa de 50% ao ano, e continua subindo. Mas, para além de erros de política econômica de um país dependente, o pano de fundo do aprofundamento da crise, como vimos, é o cerco do capitalismo internacional. O fortalecimento das alianças com China e Rússia, também colocam o regime Iraniano como alvo, pelo controle das rotas de comércio mundial, principalmente dos EUA.
O Aiatolá e outros membros do governo acusaram os manifestantes de “vândalos” a serviço de Trump, pois o imperialismo ianque e o governo genocida de Israel têm interesses diretos na desestabilização do governo iraniano. Mas reduzir as multitudinárias manifestações apenas a essa manipulação seria um enorme equívoco.
Há que se considerar a gravidade da crise econômica iraniana, que tem a 4ª maior reserva de petróleo do mundo, e tinha conseguido melhorar significativamente a qualidade de vida do povo depois da Revolução Iraniana de 1979, em relação à situação anterior sob a monarquia Reza Pahlavi e o domínio dos EUA.
Reza Pahlavi, filho do último xá do Irã (Mohammad Reza Pahlavi), está exilado nos EUA desde a Revolução Islâmica de 1979 e almeja reinstalar a monarquia. Para isso conta com apoio do governo estadunidense, que inclusive já ameaçou intervir militarmente. Mas uma possível volta à monarquia enfrenta muita resistência interna de parte da população, que tem viva na memória as atrocidades cometidas pelo seu pai quando estava no poder. Os comerciantes que iniciaram os recentes protestos em razão da crise econômica e foram fiéis ao regime desde a Revolução Iraniana, também recusam a intervenção do ocidente e rejeitam a monarquia. Análises que ignoram a complexidade das questões sociais no Irã, ou ainda a performance das máquinas de guerra dos EUA e de Israel, tendem a superestimar em relação às convulsões sociais, em direção a uma queda do regime.
Portanto, repudiamos as manobras do genocida Netanyahu e do governo reacionário de Trump, que buscam se aproveitar da luta popular para submeter o povo iraniano ao imperialismo. Reconhecemos que a existência de grupos armados, financiados por Israel e pelo governo estadunidense, é uma realidade no Irã. As sanções aplicadas ao Irã pelos EUA e alguns países da Europa, que também influenciam a crise econômica no País, agora tendem a ser amplificadas. As pressões foram estendidas a outros países, com a ameaça de Trump de impor novas tarifas de 25% para aqueles que mantiverem relações comerciais com o Irã.
Por isso, reiteramos nossa posição em defesa da autonomia e da soberania do povo iraniano na sua luta por liberdade e justiça social, que não deve ser manipulada por interesses estrangeiros. E ainda, por um governo que respeite a voz e a existência de seu povo, e que seja contra todas as formas de opressão.
Fora a intervenção do imperialismo e do sionismo no Irã!
Abaixo a repressão às manifestações populares no Irã!
Pela autodeterminação do povo iraniano!
Contra todas as formas de opressão!










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