O CONTEXTO DE CONFLITOS E AGRESSÕES INTERNACIONAIS E SUAS CAUSAS PROFUNDAS
Declaração da Ação Popular Socialista (APS/PSOL) – 26 de março de 2026
O cenário de tumultos econômicos e geopolíticos internacionais iniciados por Trump com a guerra comercial, se amplifica com a guerra ao Irã, o ataque à Venezuela, o cerco a Cuba, as ameaças à Groenlândia e à América Latina (com instalação de a base militar no Paraguai, maior controle do canal do Panamá, provocações do Equador contra a Colômbia) e o apoio irrestrito ao expansionismo israelense no Oriente Médio — incluindo o genocídio em Gaza – não são fatos isolados. Só podem ser entendidos com base em suas causas mais profundas: a continuidade da crise estrutural múltipla do capitalismo e a bipolarização interimperialista. Dentro desse marco, também estão a expansão da OTAN, a guerra por procuração desde a invasão da Rússia à Ucrânia, e a crise interna na União Europeia.
Elementos-Chave da Situação Internacional
- Os elementos que compõem a situação internacional atual têm as seguintes características, cujo entendimento é fundamental para compreender os fatos mais explosivos e o impacto dessas dinâmicas em nosso futuro.
- O cenário internacional caracteriza-se pelo prolongamento e exacerbação da crise estrutural do capitalismo, que se desenvolve desde a década de 1970 e se tornou uma crise múltipla: econômica, financeira, ambiental, energética, alimentar e sanitária.
- A bipolarização interimperialista agravou-se desde o primeiro mandato de Trump, evoluindo sob a administração Biden e agora com o segundo mandato de Trump. Os principais elementos da crise atual refletem essa disputa, que gira em torno da posição de Trump de que os Estados Unidos reajam de modo mais agressivo ao ascenso de uma potência imperialista rival: a China e seus aliados.
- A guerra comercial, a guerra ao Irã, o ataque à Venezuela, o cerco a Cuba, as ameaças à Groenlândia e à América Latina (com instalação de a base militar no Paraguai, maior controle do canal do Panamá, provocações do Equador contra a Colômbia) e o apoio irrestrito ao expansionismo israelense no Oriente Médio — incluindo o genocídio em Gaza —, os acordos com países muçulmanos (incluindo o novo governo da Síria), tudo isso se encaixa neste marco. Da mesma forma, a expansão da OTAN e a guerra por procuração que está sendo travada desde a invasão da Rússia — a qual já condenamos.
- Inclusive as tentativas de Trump de pacificar as mesmas guerras que os Estados Unidos fomentaram — como a guerra na Ucrânia, o genocídio em Gaza e a guerra de Israel contra o Irã — são formas de reafirmar o poder imperialista dos EUA, que se encontra em relativo declínio.
- Esse fenômeno não se limita a uma disputa política, mas inclui uma guerra pela liderança tecnológica, na qual nações e corporações monopolistas se enfrentam, impulsionando suas moedas e sua posição no comércio internacional.
- Além disso, enfrentamos uma crise ambiental cada vez mais profunda, manifestada na emergência climática do aquecimento global e na destruição da biodiversidade. O fracasso das abordagens ecocapitalistas para resolver esses problemas destaca a necessidade de mudanças profundas, anticapitalistas. É imperativo que a tecnologia não seja considerada apenas uma ferramenta, mas uma aliada na construção de um futuro sustentável, que respeite os limites do nosso planeta, o que só será possível dentro de um projeto ecossocialista.
- Ao mesmo tempo, o capitalismo continua lançando seus ataques contra os trabalhadores em diversas frentes, seja de forma liberal ou conservadora, ou em uma articulação entre neoliberalismo e conservadorismo. O autoritarismo da extrema direita, especialmente das forças neofascistas, atua fora ou dentro dos governos, intensificando ataques que afetam especialmente os setores oprimidos por questões de gênero, raça, etnia e a população LGBTQIA+. Essa opressão é um fenômeno internacional.
- A guerra pelo domínio tecnológico e o auge das big techs estão criando um cenário de perigo crescente, especialmente com a aliança dessas corporações com a extrema direita. Isso ocorre porque a tecnologia, que poderia ser uma ponte para o desenvolvimento humano, é também um campo de batalha ideológico e estratégico, e um espaço para a luta hegemônica.
- Atualmente, os conflitos militares “localizados” e “regionalizados” se intensificam, contribuindo para uma corrida armamentista que gera inquietude e mal-estar global. Esses conflitos, alimentados por interesses econômicos, políticos e geopolíticos, evidenciam a interconexão entre as crises locais e as disputas interimperialistas.
- Mesmo diante de um cenário tão desafiador, a resistência popular – em solidariedade à Palestina em todo o mundo, nos EUA contra as agressões do ICE (força repressiva de controle migratório estadunidense) sobre os imigrantes, lutas por direitos e manifestações antifascistas – mantém-se viva e difundida em todos os continentes. Essa mobilização, embora marcada pela falta de unificação e pela fragilidade da liderança política revolucionária, é um sinal de esperança. As vozes que ressoam nos protestos e manifestações insistem em nos lembrar que a luta por um futuro mais justo, igualitário e socialista é possível.
O desenvolvimento do imperialismo e seu momento atual
12. A crise estrutural do capitalismo é, em si, uma crise do imperialismo, pois este é, na definição de Vladimir Lenin, um estágio superior do capitalismo consolidado no final do século XIX. Naquela época, era um imperialismo multipolar, baseado na 2ª Revolução Industrial, no fordismo, no liberalismo e, em seguida, no keynesianismo. Mas o imperialismo também passou por vários subperíodos.
13. No final da 2ª Guerra Mundial, no bojo de grandes mudanças tecnológicas, econômicas e geopolíticas (incluindo o acordo de Bretton Woods e o dólar como principal moeda internacional) os .EUA passaram a ser a principal potência imperialista. É uma segunda fase do imperialismo e os EUA entram em bipolarização com a URSS.
14. Uma terceira fase nasce com a crise estrutural do capitalismo no início da década de 1970, da quebra unilateral (pelos EUA) do Acordo de Bretton Woods, da preponderância da financeirização fictícia, do neoliberalismo, da crise do fordismo, do toyotismo e da 3ª Revolução Tecnocientífica. Esse processo se completa com a implosão do regime burocrático da URSS e de seus satélites e áreas de influência. É o período chamado de “globalização”. Nessa fase também se inicia o processo de conversão da China ao capitalismo. Foi quando os EUA se tornaram o centro do Imperialismo global hegemônico unipolar.
15. A partir do pico da crise estrutural em 2008, um novo bloco imperialista começa a se afirmar, quebrando a unipolaridade imperialista. Trata-se do bloco encabeçado pela China em aliança com a Rússia e outros. Essa tendência de bipolarização interimperialista se fortalece entre 2013 e 2014 e se consolida durante a conjunção de crise econômica/pandemia (2019 a 2021) chegando ao ano de 2022 com a “guerra dos chips” e a guerra na Ucrânia, entre outros fatos relevantes. Isso colocou a bipolarização em outro patamar, gerando uma nova crise na Ordem Mundial e a transição para uma novíssima fase do imperialismo: uma Nova Ordem de bipolarização.
16. Para enfrentar a crise estrutural do capitalismo imperialista unipolar neoliberal e os novos desafiantes em escala global, parte do grande capital e seus tradicionais estados centrais do chamado “ocidente” e o Japão apelaram ao “neokeynesianismo”. Ou seja, retomaram um estímulo mais forte dos estados aos processos econômicos internos e externos: injetando recursos, criando protecionismos à produção interna, e barreiras a mercadorias e investimentos externos considerados indesejáveis (seletivamente).
17. Porém, isso ocorre sem recuperar as conquistas sociais do chamado “Estado de Bem-Estar Social” que foram dilapidadas pelo neoliberalismo. Esses direitos continuam sendo atacados, tanto na periferia como no centro do capitalismo.
18. Isso foi necessário para enfrentar a crise econômica em cada país. E, nas centenárias potências imperialistas, também para injetar recursos (dólares e euros), principalmente para conseguir competir com a nova potência imperialista ascendente (a China-RPC). Ou seja, além de criar barreiras políticas para as mercadorias, essas potências também tentam bloquear os avanços econômicos e, especialmente, tecnocientíficos chineses.
19. A investida estadunidense começa desde o primeiro mandato de Donald Trump. Mas, naquela ocasião, visava principalmente reduzir a importação de mercadorias industriais chinesas e a imposição de sanções a algumas empresas de tecnologias avançadas chinesas, como a Huawei.
20. Porém, com seu bordão “America First”, Trump agrediu também os parceiros tradicionais dos EUA na Europa, o Japão e o Canadá. E, assim, em certo sentido, isolou os EUA. A contragosto, permitiu avanços chineses em diversas regiões.
21. O governo Biden manteve o combate à RPC e à Rússia, mas mudando os procedimentos. Buscou um realinhamento de alianças, criando grandes parcerias entre os estados capitalistas ocidentais (e o Japão) e suas empresas monopolistas e centros de pesquisa, procurando um processo de produção associada e permanente em ciência e tecnologia, visando enfrentar a China e seus aliados.
22. Além disso, os EUA prometeram financiamentos a programas nacionais e regionais em países dependentes em disputa em todos os continentes onde a China estava alcançando ampla vantagem. E retomaram iniciativas de parcerias econômicas e/ou de segurança. Foi grande a movimentação dos EUA e da Europa para, além de parcerias entre eles, também tentar tratados econômicos, diplomáticos e militares com países da periferia, especialmente na África, Ásia e Oriente Médio.
23. Ao mesmo tempo, os bloqueios protecionistas econômicos iniciados por Trump 1 evoluíram significativamente para a restrição aos investimentos da China e, especialmente, a proibição de exportação (dos EUA para a RPC) de peças com tecnologias mais avançadas, como os semicondutores (microchips) e as máquinas para sua produção.
24. Outro fenômeno importante foi o crescimento do comércio visando moedas de diversos países, especialmente o yuan chinês, no lugar do dólar. Isso teve algum crescimento, sendo um dos objetivos do bloco China/Rússia de minar a ainda ampla hegemonia do dólar como moeda de reserva internacional e de intercâmbio comercial. O yuan e outras moedas têm avançado paulatinamente. Para a política do governo Biden era preciso enfrentar a China, que, em cerca de 20 anos, se tornou atualmente o segundo país maior exportador de capitais (principal atributo de um país capitalista imperialista) da história do capitalismo, só menor que os EUA, e maior do que as outras nações imperialistas.
25. A estratégia de Biden era mais articulada para combinar as capacidades dos parceiros do antigo imperialismo, para enfrentar os desafios da disputa econômica, tecnológica e militar com o bloco liderado por China e Rússia. Na prática, criou algumas dificuldades para essas potências, mas não impediu seu desenvolvimento, destacadamente da China. A volta de Trump foi uma tentativa de resolver o problema.
As particularidades do imperialismo chinês
26. A virada da China em direção ao capitalismo desde 1978, mantendo o controle da economia e das forças armadas através do Estado e do Partido Comunista, levou adiante, e de forma bem-sucedida, um capitalismo nacional-desenvolvimentista e imperialista com características chinesas, tornando-se a maior economia do mundo segundo critérios do Banco Mundial e segunda de acordo com o FMI.
27. A partir de um projeto estratégico de longo prazo, a China busca integrar blocos de países sob sua liderança econômica e estratégica de desenvolvimento, principalmente em áreas de energia, infraestrutura, transportes de escoamento da produção por mar e terra, tendo por base créditos de empresas privadas e do Estado Chinês. Assim, junto aos seus aliados poderosos como a Rússia e outros menores, a China conforma o desenho de um novo polo de poder e de hegemonia em construção, buscando consolidar um novo paradigma de relações internacionais capitalistas que podemos caracterizar como um novo tipo de imperialismo alternativo à unipolaridade hegemônica do imperialismo estadunidense, que foi forjado desde o fim da URSS e está em declínio.
28. Esse novo tipo de imperialismo, forjado no curso das contradições do capitalismo em movimento, não muda, entretanto, a essência da crise do capital e seus limites históricos concernentes à sua forma de produção material e social, nem os seus impactos catastróficos em relação a natureza, que são cada vez mais profundos e de difícil controle. Por isso mesmo, a lógica do padrão de trocas desiguais e de dependência dos países da periferia do capitalismo com esse novo centro de acumulação mundial do capital imperialista chinês muda a forma de ação. Mas não muda a essência de relações desiguais, de transferência de valor produzido pela força de trabalho e a dependência dos países da periferia do capitalismo. Assim, nas relações comerciais, a China continua, como faziam as outras potências, subordinando essas economias dependentes a centrar-se na produção e exportação de produtos primários com baixo valor agregado. Contribui, assim, para o processo e desindustrialização e dependência tecnológica incontornável, de difícil mudança nos termos desse padrão de dependência.
29. Por outro lado, quando a China exporta capitais para os países dependentes, na forma de empréstimos, financiamentos ou IED (Investimentos Diretos de Capitais) para algum tipo de indústria ou infraestrutura, através de empresas estatais ou privadas, transfere valor da periferia para as matrizes chinesas e reproduz a dependência tecnológica e financeira.
30. Cumpre ainda salientar a forma como ocorre a ação imperialista no plano político. Diferentemente dos EUA, não há uma imposição agressiva de pré-condições políticas, ideológicas e culturais aos países da periferia e dependentes do sistema global do capitalismo para integrar-se a essa ordem social de domínio econômico, político, ideológico e militar.
31. A forma desse imperialismo chinês, em primeiro lugar, se realiza de maneira pragmática e dentro do prisma essencialmente econômico e diplomático, com a negociação de condições materiais e regras legais que favoreçam principalmente os capitais chineses. A construção política, ideológica e de valores se dá a partir e em decorrência desse processo negociado com as burguesias e elites nacionais dependentes de forma lenta e subordinada aos interesses de longo prazo, sem imposições militares. Esse novo tipo de imperialismo vai se conformando no atual contexto de declínio da hegemonia estadunidense, que vem se expressando em sua perda relativa de poder econômico, tecnológico e cultural e de controle das nações antes subordinadas a sua área de influência.
32. Nesse sentido, a China faz imposições econômicas quando necessário, mas não tem feito intervenções militares para impor seus interesses, se relacionando pragmática, diplomática e economicamente com os países, seja qual for o seu regime político ou grupo político-ideológico governante, desde que isso traga vantagens econômicas imediatas ou futuras e/ou avanços em sua posição geopolítica estratégica. Mas, por outro lado, ao mesmo tempo acaba contribuindo materialmente e diplomaticamente para a sustentação de regimes de extrema-direita e até mesmo genocidas, como é o caso do estado sionista de Israel. E reforça as políticas neoliberais e o poder das burguesias e elites locais (como veremos ao final).
A Disputa Geopolítica entre a vertente imperialista do governo Trump 2 e a China
33. A derrota de Biden/Harris (Partido Democrata) implicou o retorno da política de Trump 1. Porém, numa situação mais complicada, por causa do avanço permanente da China em todos os campos. O seu retorno comprovou os impasses atuais da crise estrutural do capitalismo e da disputa interimperialista, e como isso se manifesta nos EUA (internamente e em sua política externa). Porém, além de manter as medidas da administração Biden, Trump está endurecendo o jogo e provocando mais conflitos com velhos aliados imperialistas.
34. Trump e Biden representam duas vertentes do imperialismo estadunidense. Duas estratégias do mesmo imperialismo. E, por outro lado, é um dos dois blocos principais da fase do imperialismo global, em contraposição ao bloco liderado por China e Rússia. As políticas de Trump têm, grosso modo, um alvo interno e outro externo. O imperialismo tem, por sua natureza, uma tendência de difusão econômica e política extranacional e, quando necessário, com agressões militares. Portanto, não há imperialismo isolacionista.
35. Trump fala e age contraditoriamente, blefa e faz confusões, mas suas políticas interna e externa tentam ser mutuamente articuladas. Internamente, ele visa internalizar capitais e inovação em ciência e tecnologia com fins industriais. Facilitar a destruição ambiental para garantir a acumulação de capitais. Melhorar os empregos e estimular o mercado interno e o PIB e, com isso, tentar manter sua base de apoio entre os trabalhadores. Expulsar os imigrantes considerados, por ele e o Partido Republicano, indesejáveis. Aprofundar o autoritarismo: por um lado, centraliza mais o poder presidencial que detém e, por outro, endurece a repressão a quem ele considera inimigo interno. Paralelamente, desenvolve ações para robustecer a cultura de direita dentro do estado e na sociedade civil, fortalecendo esquemas e comportamentos conservadores (nos EUA e no exterior). No seu conjunto, é uma política de características neofascistas.
36. Na política externa, a vertente trumpista do imperialismo pretendia garantir um dólar forte e manter a China como principal inimigo. Tentou alguma mediação com a Rússia, para buscar isolar a China, mas chegou tarde. Os acordos China-Rússia são muito profundos e de médio e longo prazos. Por mais que Trump e Putin tenham aproximações ideológicas – pois ambos são parte de um campo da direita autoritária mundial e marcada pelo conservadorismo cultural – Trump pode não conseguir eleger seu sucessor para presidente estadunidense e a política externa sofrer mudanças. Isso porque nos detalhes das linhas imperialistas dos EUA não há uma “política de estado”. Putin não se afastaria de uma relação mais segura com a China para se aliar a Trump (com sua possível provisoriedade) e sua ação ziguezagueante, como temos visto.
37. Com a implementação das políticas protecionistas dos EUA, principalmente as taxações (tarifaços), a consequência seria o aumento dos atritos com antigos parceiros imperialistas, ou seja, os países europeus e o Japão, além de vizinhos como o Canadá e o México. A política externa visa aprofundar o poder de influência o mais diretamente possível nos territórios mais próximos e relativamente mais frágeis, como o Ártico, a Groelândia e o Panamá (especialmente o canal interoceânico), a Venezuela e Cuba (que tem uma histórica resistência, mas está muito abalada econômica e socialmente, principalmente devido aos bloqueios dos EUA). Ataca o Irã a Palestina e volta a financiar a Ucrânia. Porém, não demonstra força para novas invasões com ocupações militares diretas.
38. Trump buscava reduzir custos estatais (materiais e políticos) no resto do mundo onde não tenha contrapartida mais imediata. Mas continua a fazer isso quando acha necessário para afirmar os interesses geopolíticos do estado e das suas empresas monopolistas, e dos estados aliados, como Israel. Por outro lado, não está conseguindo atender suas promessas eleitorais de acabar com as guerras em curtíssimo prazo.
39. Como vimos, uma questão central na sua política econômica de forte repercussão internacional são as medidas protecionistas. Busca facilitar a importação de capitais (que não sejam “inimigos”), para estimular sua economia interna. Nessa perspectiva é que podemos entender o rompimento de acordos e tratados, em áreas que ele considera custosas ou ideologicamente negativas. Como a COP, a OMS e outros órgãos da ONU, cortando recursos de outras, como a OTAN, o que está provocando maiores despesas militares dos países europeus, que já estavam vivendo apertos orçamentários. Porém, devido seus zigue-zagues e blefes, não é fácil saber até onde ele vai levar cada ameaça específica e o enfrentamento interimperialista geral.
40. Para o conjunto da obra, Trump tem o apoio dos donos das Big Techs que, além do poder econômico, têm alta capacidade de manipulação das informações. E, dentro do estado, possui a maioria da Suprema Corte e a maioria simples no Congresso (Senado e Câmara). Que, mesmo assim, não tem aprovado todas suas medidas e é insuficiente para mudanças na Constituição. Mas, está sendo difícil tudo “dar certo” para os EUA.
41. Está gerando resistências em movimentos sociais populares internos e externos aos EUA, grandes manifestações de protestos (especialmente contra a política imigratória, em apoio à Palestina e contra as agressões sionistas), atritos com as antigas potências imperialistas aliadas/subalternas, resistências e retaliações de países prejudicados por suas sanções “econômicas.
42. O dólar sofreu uma desvalorização (mesmo que ainda pequena) e as reservas dos outros países no Tesouro dos EUA estão diminuindo. Trump tem enfrentado dificuldades dentro do aparelho de Estado dos EUA, tanto civil como militar. Está gerando atritos com a elite política, frações das classes dominantes e da classe média. Tende a faltar mão de obra devido à repressão aos imigrantes e pode haver pressões de aumento salarial.
43. A China tem respondido duramente aos ataques tarifários e sanções de Trump, fazendo represálias tarifárias e suspendendo exportações chinesas de minérios essenciais e peças necessárias para o funcionamento da cadeia produtiva interna dos EUA (e Trump não conseguiu manter uma agressão econômica sistemática). Mas sempre buscando negociações e acordos. Isso mostra a dificuldade dos EUA e da China de romperem com a lógica globalizante do imperialismo. Essa lógica já teve os EUA como seu principal defensor.
44. Mas, o contexto acaba abrindo espaços para as empresas capitalistas chinesas ampliarem a presença em diversos países, de todos os continentes, no modo de imperialismo que oferece trocas, lucros e vantagens para as frações burguesas desses países.
45. Ao mesmo tempo, a China aprofunda a dependência desses países em relação ao seu capital e fortalece as burguesias e elites associadas nacionais dependentes. Mas, embora busque garantir seus interesses nacionais, abstém-se de demonstrar solidariedade efetiva com os povos e países atacados pelo imperialismo estadunidense. Apesar de anunciar apenas ajuda humanitária limitada a Cuba e ser o principal parceiro econômico do Irã, é o segundo maior parceiro econômico de Israel e o maior exportador para o estado sionista (comércio que cresceu, ano a ano durante o genocídio – de 2022 a 2026). Consegue ser, ao mesmo tempo, o maior parceiro comercial tanto da Ucrânia quanto da Rússia. Não vai além de declarações formais na maioria dos casos e deixa cada país à própria sorte, como aconteceu com a Venezuela.
46. Já Trump, não está conseguindo vitórias estratégicas em seu principal objetivo (enfrentar a China). Está sendo obrigado a recuar e mediar muitas de suas decisões e discursos; está atolado no Irã; perde apoio popular nos EUA e no mundo; corre grande risco de perder as eleições parlamentares de 2026 e as presidenciais de 2028 nos EUA.
Nossa luta é anti-imperialista e internacional:
Pela autodeterminação dos Povos!
Palestina Livre! Chega de genocídio patrocinado pelo estado sionista de Israel e pelos EUA! Tirem as garras do Irã e do Oriente Médio,
Trump, tire as garras de Cuba, da Venezuela e da América Latina!
Por um acordo de paz justo na Ucrânia!
Combater a ação destrutiva do capital, em defesa do meio ambiente e pelo ecossocialismo!
Fortalecer a Resistência Popular contra o capital, o imperialismo e todas as opressões! Trabalhadores, oprimidas e oprimidos de todo o mundo, uni-vos! Abaixo o Imperialismo e Pelo Socialismo! Ousando Lutar, Venceremos!










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