Defender a soberania nacional, os interesses populares e derrotar a extrema-direita

Defender a soberania nacional, os interesses populares e derrotar a extrema-direita

Resolução de Conjuntura Nacional e Tática | Coordenação Nacional da APS-PSOL Abril de 2026

A desordem global e o a situação nacional

  1. O último ano do terceiro mandato de Lula começou marcado por forte instabilidade da ordem mundial com as incursões de Trump na Venezuela, a intensificação do bloqueio a Cuba e com a guerra, em conjunto com Israel, contra o Irã no Oriente Médio.
  2. O governo Lula, conforme já afirmamos, mantém os marcos centrais da ordem neoliberal. Essa continuidade se expressa na prioridade ao ajuste fiscal, na submissão da política econômica aos interesses do capital financeiro e na aposta reiterada na governabilidade conservadora, com a direita ocupando importantes espaços no governo e se fortalecendo por dentro, por fora e na oposição, como a extrema-direita ainda liderada pelo clã Bolsonaro.
  3. Como consequência, estreita-se a margem de manobra para qualquer mudança de fundo: o Novo Arcabouço Fiscal, a “autonomia” do Banco Central, as privatizações e o controle de parte expressiva do orçamento pela direita – mal chamada de “Centrão” – operam como travas permanentes para mudanças reais na vida do povo trabalhador.
  4. O governo Lula acaba por basear-se em medidas compensatórias e parciais, incapazes de enfrentar as raízes da desigualdade, da dependência e da destruição ambiental. A fórmula dos primeiros mandatos – atuar nas frestas da ordem neoliberal com medidas redistributivas no campo da menor resistência do capital – já tinha mostrado seus limites, especialmente nos mandatos de Dilma Roussef, e não surte os efeitos esperados de mudanças, mesmo que moderadas, na vida material do povo trabalhador.
  5. Todos os aspectos elencados acima se dão nos marcos gerais da manutenção da hegemonia burguesa no Brasil. A burguesia e suas principais frações seguem predominantes na economia e no Estado, além do terreno da cultura e da ideologia. Essa hegemonia não se sustenta só pela força: ela se reproduz quando a visão de mundo dominante vira normalidade e qualquer alternativa popular aparece como “impossível”. Sem uma força contra-hegemônica enraizada no povo trabalhador, a disputa fica confinada ao espaço institucional: muda a gestão, troca o discurso, mas o comando estrutural permanece.
  6. O campo popular, cuja principal liderança e partido são Lula e o PT, segue sem uma direção com unidade programática e estratégica que vise transformações radicais. O impasse vivido é resultado de escolhas políticas concretas — da classe dominante, que nunca renunciou aos seus privilégios, e de elites políticas — mesmo as de centro-esquerda — que governaram o país sem tocar nas estruturas que reproduzem as desigualdades sociais.
  7. A hegemonia política burguesa foi instável ao longo do século XX: numa sociedade atravessada por desigualdade extrema, há dificuldades de produzir consenso duradouro, e coloca-se com frequência o uso da coerção. Só no período recente, com a chegada de Lula/PT ao poder em 2003, a estabilidade política da hegemonia burguesa foi viabilizada a partir da promoção de melhorias materiais para setores do povo trabalhador, dentro de limites impostos pelas principais frações da burguesia, e a incorporação de Lula/PT ao Bloco de Poder, como consequência do transformismo que absorveu e domesticou lideranças e organizações populares. O “neodesenvolvimentismo” virou a fórmula da conciliação: algum ativismo estatal e políticas sociais, mas sem enfrentar a macroeconomia neoliberal. O resultado é conhecido: preservam-se a dependência e a centralidade do grande capital — sobretudo o financeiro e o primário-exportador — enquanto a extrema desigualdade é gerida, não superada.
  8. Nesse quadro é que se explica o fato de o Brasil continuar sua trajetória de vulnerabilidade e dependência econômica, especialmente dos atuais grandes centros capitalistas (EUA, Europa Ocidental e China). Isso se manifesta na regressão econômica do país, aprofundando sua condição de grande exportador de produtos com baixo valor agregado (comodities agrárias, pecuárias e minerais) e importador de produtos com maior valor agregado (de média e alta tecnologia). O recente acordo União Europeia-MERCOSUL vai exatamente no sentido de fortalecer a condição subalterna do país.     
  9. Esses fatores se associam a diversas questões ideológicas. Há uma nítida perda de relevância das posições à esquerda, especialmente na juventude, em parte explicada pela própria incorporação de partidos, organizações e lideranças populares outrora de esquerda à hegemonia burguesa.
  10. Observamos assim o crescimento da direita e, dentro dela, da sua ala de extrema-direita. Esta radicaliza sua agenda antipopular, antidemocrática e antinacional alinhando-se ao trumpismo e defendendo medidas regressivas que visam desmontar completamente o que sobrou, após décadas de neoliberalismo, de legislação trabalhista, previdenciária, de assistência social etc.    
  11. Diante desse quadro se impõe nossa tarefa: combater a extrema-direita e sua agenda antipopular, antinacional e antidemocrática, explicitar nossas críticas às opções de continuidade dos ajustes neoliberais do governo Lula, apontar suas consequências e apostar na mobilização e organização popular, com independência política, para arrancar conquistas no presente e abrir caminho para transformações mais profundas.

2026: limites do governo, baixa popularidade e os impactos do caso Master

12. O Governo Lula chega no ano eleitoral com baixa popularidade e sofrendo desgastes de variadas ordens. Os indicadores relativamente e moderadamente positivos têm se mostrado insuficientes para ampliar a avaliação positiva do governo.

13. O desemprego, mesmo abaixo da taxa do mesmo período de 2025, cresceu no início de 2026, indo de 5,1 para 5,8%. Entre as mulheres, o índice é de 6,2%, superior aos dos homens, que está em 4,2%. Entre os negros e negras, é de 7,1% para pretos e pretas e 6,5% para pardos e pardas. Entre os jovens de 18 a 24 anos é de 11,4%. Na distribuição por região, o Nordeste alcança o maior índice (7,1%), seguido do Norte (5,8%), do Sudeste (4,8%), do Centro-Oeste (3,9%) e do Sul (3,1%). A taxa de subutilização da força de trabalho está em 14,1%; esta é composta pelos desocupados que buscaram emprego (já indicado acima), os desalentados que desistiram da procura no momento de coleta dos dados (2,7 milhões) e os que estão subocupados (4,4 milhões), isto é, trabalhando menos horas do que o desejado.

14. O mercado de trabalho no Brasil mantém altos índices de precarização em novas e velhas formas. O país tem 38,3 milhões trabalhando na informalidade (formais são 39,2 milhões) e outros 26,1 milhões de “trabalhadores por conta própria” (microempreendedores individuais, profissionais liberais, prestadores de serviço etc.). Do total da população ocupada (102,8 milhões), 64,4 milhões está em alguma forma precária de trabalho, isto é, 62,2%. Cerca de 2% da população ocupada está no trabalho para plataformas com média de 45 horas semanais e recebendo entre R$ 2.119 e R$ 2.743. Destes, somente 36% contribuem com a Previdência Social.

15. A inflação dos alimentos, que caiu no segundo semestre de 2025 depois de um movimento constante de alta, voltou a crescer no início de 2026. Segundo o DIEESE/CONAB, o preço dos alimentos básicos subiu nas 27 capitais pesquisadas. As principais elevações foram em Manaus (7,42%), Salvador (7,15%), Recife (6,97%), Maceió (6,76%), Belo Horizonte (6,44%), Aracaju (6,32%), Natal (5,99%), Cuiabá (5,62%), João Pessoa (5,53%) e Fortaleza (5,04%) em todos os casos citados acima do índice geral de inflação dos últimos 12 meses (4,7%).

16. Caso se confirme a tendência apontada no início de 2026, o Brasil pode ter mais um ano com inflação dos alimentos acima do índice oficial. Importante destacar que a inflação dos alimentos nos últimos anos tem sido significativamente superior à inflação oficial. Entre janeiro de 2020 e novembro de 2025, o IPCA avançou 38% e os preços dos alimentos subiram 57%, isto é, quase 20% a mais.

17. Esse é um aspecto muito importante para compreender as dificuldades de ganho de popularidade de Lula. Quando o crescimento do rendimento médio dos trabalhadores e trabalhadoras fica abaixo da inflação de alimentos, o ganho é drenado pelo aumento do custo da alimentação que consome entre 40 e 60% da renda da grande maioria do povo trabalhador, além de outros itens que compõem o custo de vida.

18. Outro aspecto é o endividamento das famílias, que atingiu nível recorde no início do ano (80,4%) com 29,6% das famílias com dívidas em atraso e 12,3% que não conseguirão pagá-las. As altas taxas de juros reais da SELIC e das instituições financeiras – normalmente bem superiores à SELIC – aprofundam o mal-estar de parte expressiva do povo trabalhador brasileiro, que acaba por adquirir o vício em bets, o que também compõe o quadro de endividamento, como esperança de fuga da situação.

19. É preciso encarar a realidade – as medidas governamentais não melhoraram substancialmente o padrão de vida da maioria nacional. Não adianta depositar a culpa na comunicação ou na “incapacidade” do povo de perceber as “melhorias”. O problema é de ordem econômica – há grandes limites nas políticas implementadas que não enfrentam o grande capital –, da orientação política social-liberal e conciliatória com parte da direita e ideológico, marcado pela insuficiência da disputa de valores radicalmente igualitários e com perspectiva socialista, e não somente da mitigação da pobreza.

20. O caso do Banco Master somou-se às limitações das melhorias materiais na vida do povo trabalhador no desgaste do governo Lula. A promiscuidade entre capital financeiro e agentes públicos não é exatamente uma novidade. A gravidade do caso Master é que este se deu num quadro de maior flexibilização da regulação, contou com o forte apoio da gestão anterior do Banco Central (indicada por Bolsonaro) e recebeu aportes multimilionários dos governos do Rio de Janeiro (Celso Castro) e do Distrito Federal (Ibaneis Rocha), não por acaso apoiadores de Bolsonaro em 2022. Contou também com a defesa dos seus interesses por importantes representantes do “Centrão”, a exemplo do Senador Ciro Nogueira (PI). Ainda existem diversas outras redes de relação com outras lideranças da extrema-direita, como o deputado federal Nicolas Ferreira (MG). E não para por aí.

21. A questão é que esse caso não ficou só restrito a extrema-direita e seus aliados. O escândalo atingiu em cheio o Supremo Tribunal Federal (STF) nas figuras de Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Como ambos, especialmente Moraes, tiveram importante papel no enfrentamento, julgamento e condenação dos envolvidos na tentativa de golpe de janeiro de 2023, no senso comum não há uma diferença nítida entre eles e Lula. Além disso, setores ligados ao PT da Bahia (Wagner e Rui Costa) tiveram algum nível de relação com Vorcaro e o Banco Master. Mesmo que atos ilícitos não estejam na vitrine do debate público, a mera relação pessoal ou institucional coloca em ambos alguma suspeição. Além disso, Guido Mantega, ex-Ministro da Fazendo dos governos do PT, ao que parece cumprindo função de lobista, articulou reunião entre Vorcaro e Lula. Mesmo considerando que não existe nada até agora que envolva os quadros do PT nas denúncias, esses fatos públicos colocam sobre Lula parte do desgaste da repercussão do caso Master. Há também as manipulações realizadas pela extrema-direita nas CPI do INSS e do crime organizado, criando factoides que não deixam de requentar sentimento antipetista associado à corrupção. Houve algumas iniciativas na comunicação política de afastar o governo Lula dos escândalos, mas que ainda não repercutiram positivamente nas pesquisas.            

Avançar é necessário e possível

22. A luta vitoriosa dos indígenas do Baixo Tapajós, que ocuparam a Cargill em Santarém e derrotaram o decreto de privatização dos rios amazônicos proposto pelo governo, foi o mais recente exemplo das possibilidades abertas pela mobilização popular orientada por uma política classista e independente. 

23. O PSOL teve importante papel ao apoiar a luta dos povos indígenas e pressionar o governo pela revogação do decreto. Essa situação é uma importante síntese de como deve continuar se localizando a APS, as organizações populares e o PSOL na conjuntura: combater sem tréguas a extrema-direita; enfrentar o grande capital, estar ao lado das lutas populares e vocalizá-las nas suas bancadas municipais, estaduais e federal.

24. No próximo período, a APS, as organizações populares e o PSOL devem priorizar a luta contra a jornada 6×1, avançando para uma efetiva redução imediata da jornada de trabalho, só possível se a luta se der com mobilização social e pressão sobre o Congresso Nacional. Da mesma forma, devemos nos incorporar nas mobilizações do movimento indígena após o Acampamento Terra Livre realizado em abril. Devemos continuar a denúncia da escalada de feminicídios e do aumento de todas as formas violência contra as mulheres. Devemos compor e contribuir com a agenda de lutas dos setores mais dinâmicos de nossa classe.

Derrotar a extrema-direita, reeleger Lula e lutar por um programa de mudanças

25. Enfrentaremos um processo eleitoral extremamente difícil, marcado pela força significativa da extrema-direita. Depois de muitas especulações, o final da última janela partidária antes das eleições delineou melhor o quadro eleitoral. A principal candidatura da direita será um representante direto do clã Bolsonaro, seu filho Flávio Bolsonaro (PL). Portanto, a principal candidatura de oposição a Lula (PT) será capitaneada pela extrema-direita.

26. É preciso considerar que o comportamento eleitoral é permeado por certas características que não mudaram significativamente, como algumas análises têm apontado. Há uma base ideológica à esquerda e à direita. Essas bases não mudam facilmente, independentemente da situação econômica e social. É o que chamamos de voto baseado em valores ideológicos no sentido amplo do termo: político, moral, modo de vida, religião etc. Há também o voto baseado numa racionalidade pragmática, que leva em conta uma relação de “custo-benefício”, e pode mudar de acordo com a situação econômica e social.

27. As dificuldades enfrentadas hoje pelas forças políticas do campo popular estão associadas a essas duas dimensões – a material e a ideológica – já que as melhorias de ordem material foram abaixo das expectativas da maioria do povo trabalhador, como já afirmamos anteriormente, e temos perdido terreno no campo ideológico para a direita (e a extrema-direita dentro desse espectro). 

28. A expectativa de uma candidatura competitiva da direita convencional (que também não deixa de ter posições extremas no atual quadro) esgotou-se quando Tarcísio de Freitas (Republicanos) subordinou-se a Jair Bolsonaro, decidindo permanecer na disputa pela reeleição em São Paulo, e mais recentemente quando Ratinho Júnior (PSD) desistiu da candidatura nacional para não correr risco de perder controle das eleições no Paraná, onde Flávio Bolsonaro (PL) articulou a candidatura de Sérgio Moro (PL).

29. A composição da chapa de Flávio Bolsonaro (PL) ainda está em aberto, bem como a composição de parte dos seus palanques estaduais, especialmente em Minas Gerais. As outras candidaturas da direita estão abaixo dos dois dígitos, e existe possibilidade de desidratarem se Flávio Bolsonaro (PL) se consolidar como principal polo de oposição à Lula (PT). O quadro atual de baixa popularidade de Lula (PT), associado ao crescimento de Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas recentes, mostra que não teremos pela frente uma eleição fácil.

30. Temos como objetivo central derrotar a extrema-direita representada pela candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), mas uma possível vitória eleitoral não significará automaticamente derrota política da extrema-direita. Esta só será possível com forte combinação entre combate à agenda antipopular, antinacional e antidemocrática com afirmação política e programática que gere maior nível de consciência do povo trabalhador e melhores condições de mobilização social. Para tanto, é fundamental que a APS, as organizações populares e o PSOL articulem uma plataforma programática, tendo como base o recente programa aprovado no partido em 2025, que se ancore nos interesses fundamentais do povo trabalhador e seja capaz de ampliar as mobilizações populares, não só para o desafio eleitoral.

31. A derrota da extrema-direita nas eleições, que hoje tem Lula (PT) como principal candidato capaz de cumprir essa função, não será suficiente, como já nos mostraram as eleições de 2022. É preciso ir além e lutar para mudar radicalmente a linha política do governo. Isso passa por pontos bastante concretos: o fim do arcabouço fiscal, a taxação das grandes fortunas, o fim da escala 6×1, a demarcação de todas as terras indígenas pendentes, a implantação de um plano de reforma agrária, o compromisso com as pautas do movimento socioambiental, como o fim dos projetos de exploração de petróleo na Amazônia etc. Todos esses pontos defendidos historicamente pela esquerda.

32. A campanha deve enfatizar a luta pela soberania nacional. Essa batalha deve ir além do direito de reproduzir, no âmbito do multilateralismo, nossa condição periférica no capitalismo mundial. Conforme declaramos em resolução do IX Encontro Nacional da APS, afirmar nossa soberania exige medidas concretas que protejam nossos recursos naturais e desenvolvam suas cadeias produtivas com a presença de empresas públicas-estatais visando, em primeira instância, a melhoria do padrão de vida de nosso povo. É importante trabalhar a questão da soberania nacional com discursos e iniciativas políticas, atuais ou futuras, fortes. Devemos disputar intensamente os valores patrióticos, deslocando-os do discurso manipulativo da extrema-direita, que dá nítidos sinais de ampla submissão aos interesses dos EUA no Brasil.  

33. A luta por soberania deve ser para garantir segurança e soberania alimentar (que só possível com uma ampla reforma agrária agroecológica); a soberania digital, não só regulamentando as bigtechs atuantes no país, mas sim desenvolvendo tecnologias próprias sob controle público-estatal; e o desenvolvimento produtivo e tecnológico autônomo nacional, e não com base em capitais imperialistas. Lula deve comprometer-se sem ambiguidades com o controle do Estado Brasileiro sobre os recursos e cadeias produtivas estratégicas, a exemplo da Petrobrás e da mineração de produtos fundamentais para as tecnologias emergentes, como os minerais críticos e as terras raras

34. Não podemos subestimar os mecanismos que forjaram e ainda alimentam a extrema-direita e o neofascismo em nosso país, cujas raízes e tentáculos se articulam na economia neoliberal, na política antipopular, nos ataques à democracia e nas sucessivas tentativas de golpe. Também é importante, nesse contexto, apontar e se contrapor às opções dos governos de Lula/PT, que não enfrentam estruturalmente o grande capital e sua ação destrutiva dos direitos sociais e do meio ambiente. A conciliação com as principais frações do capital no Brasil é importante fator que nos levou a uma crise social e política, a qual contribuiu para a formação de bases sociais do neofascismo.

35. A derrota eleitoral da extrema-direita e do neofascismo passa pelo apoio à reeleição de Lula (PT) como presidente no 1º turno das eleições de 2026, como necessidade para garantir as liberdades democráticas, porém sem ilusões de que um possível novo mandato será, caso não haja mobilizações populares, distinto das experiências anteriores, subordinadas à ordem neoliberal. Pouco se avançou na reconquista dos direitos trabalhistas e revogação das contrarreformas – promessas de campanha do PT e condições de um programa mínimo que o PSOL apresentou na plataforma Direito ao Futuro, mas que não foram tocadas desde 2023.

O Brasil precisa de uma esquerda popular, democrática e independente

36. A APS tem convicção do seu papel na luta de classes, com a sua atuação nos movimentos e/ou no parlamento, contra os retrocessos e ataques trazidos pelos governos da ordem. Apoiaremos Lula desde o 1º turno como uma necessidade premente de redução de danos para a nossa classe e demais setores explorados e oprimidos, porém apontando que a derrota da extrema-direita no congresso nacional é tão importante quanto a derrota para a presidência. Isso coloca a importância de renovação e ampliação das bancadas estadual e federal do partido, especialmente dos setores mais combativos e independentes, ultrapassando a cláusula de barreira e garantindo que nossa bancada continue cumprindo o papel de se posicionar e votar de forma coerente com os princípios de um partido socialista nos temas que ameaçam os interesses do povo trabalhador e do país. 

37. O processo eleitoral, como um todo, exigirá do PSOL uma firmeza ideológica mais contundente do que nunca, para que saibamos diferenciar e demarcar os momentos em que estaremos juntos na defesa da democracia e contra o neofascismo e os momentos em que o partido precisará se diferenciar na defesa coerente da classe trabalhadora, dos territórios e ecossistemas mais afetados e impactados pelas contradições dos governos de conciliação, que não titubeiam em fazer concessões ao grande capital.

38. O processo eleitoral não tem um fim em si mesmo. Precisa ser uma oportunidade de apresentação e disputa programática na sociedade, como momento de acúmulo político, formação e organização do povo, forjando os mandatos conquistados como ferramentas das lutas contra a exploração, a opressão e a barbárie. É preciso criar as condições para derrotar a extrema-direita nas urnas e bloquear os ataques à classe trabalhadora e aos direitos sociais, feitos por um Congresso Nacional tomado por inimigos do povo. É igualmente importante impor uma derrota nas ruas, com a organização e radicalidade das lutas populares. Ousando Lutar, Venceremos!

Coordenação Nacional da APS

Abril de 2026

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