Eleger Lula e derrotar Flávio Bolsonaro (PL) para defender os direitos sociais e as conquistas democráticas do povo trabalhador
Nota política da Coordenação da APS/PSOL sobre as eleições de 2026
É possível vencer!
É necessário jogarmos todas as nossas forças sociais, políticas e ideológicas para derrotar Flávio Bolsonaro (PL). O resultado do 1º turno não foi necessariamente uma surpresa. O quadro, apesar das oscilações, sempre indicou uma eleição extremamente apertada entre as principais candidaturas, Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). A vitória de Flávio Bolsonaro (PL) no 1º turno foi por estreita margem, um pouco mais de 2 milhões de votos e menos de 2%.
Os primeiros dias após o 1º turno despertaram mobilizações que estavam frias ou “mornas” entre apoiadores de Lula. Agora é hora de três movimentos: colocar as vanguardas sociais e políticas em movimento, virar voto das outras candidaturas, dos nulos e brancos e conquistar a vontade de votar das abstenções. É preciso combater o desalento, despertando as pessoas para os riscos de retrocessos sociais e políticos que Flávio Bolsonaro (PL) representa, apontando perspectiva de futuro. A defesa de legado já se mostrou uma tática insuficiente, e a campanha no 2º turno não pode ter isso como centralidade.
É preciso defender e praticar uma linha de campanha mais ofensiva. O PSOL deve cumprir a tarefa de lutar contra os retrocessos que Flávio Bolsonaro representa e apontar perspectivas futura. É preciso combater radicalmente a candidatura de Flávio Bolsonaro como sendo a que representa totalmente o sistema. Devemos apresentar propostas de mudanças via novo governo Lula e a pressão dos movimentos sociais.
A polarização política e ideológica da campanha de 2026
A polarização dos últimos anos não é uma novidade. Historicamente, especialmente na Nova República (1988 até os dias atuais),o Brasil sempre teve votos genericamente à esquerda e à direita. A motivação do voto se divide principalmente em dois tipos de racionalidade: a pragmática (relação de ganhos e perdas na relação do eleitor com as candidaturas) e por valores (políticos, ideológicos, religiosos etc.). Até 2014 predominou, em grande parte das eleições, a racionalidade pragmática. A partir de 2016, com acentuação de 2018 a 2026, o voto baseado em valores ideológicos cresceu substancialmente e pendeu mais para a direita/extrema direita, que realizou intensa disputa político-ideológica a partir de vários instrumentos (sistemas digitais orgânicos, igrejas evangélicas, aparato repressivo estatal e paraestatal, empresas, mandados parlamentares, pressões do imperialismo estadunidense etc.).
Nos últimos anos observamos a ascensão de uma extrema-direita com base de massas e articulada internacionalmente, embora não totalmente homogênea. Seu crescimento se dá pela profundidade da crise estrutural do capital e pelo fato do custo desta recair sobre as maiorias nacionais de trabalhadores e trabalhadoras. Há lutas, resistências e até desempenhos eleitorais significativos da esquerda, mas que têm se mostrado insuficientes para forjar uma alternativa popular, democrática, anti-imperialista e anticapitalista de massas. Esse quadro social e político gerou uma crise das democracias liberais em variados países e continentes do mundo.
O jornalismo e alguns analistas políticos costumam usar o termo “maldição do incumbente (governante)”para retratar variadas dificuldades de reeleição de vários governantes.Em contrapartida, o governante também tem as vantagens de quem pode realizar ações que atendam demandas das maiorias, mas nem sempre isso tem se mostrado como suficiente. Efetivamente, há uma oscilação entre esperança e decepção, que acaba se manifestando na alternância entre o que se vê como genericamente esquerda e direita.
O terceiro mandato de Lula está inserido nesse contexto e suas dificuldades em 2026 são provenientes dessas condições gerais. Porém, isso não explica tudo. É necessário compreender as particularidades do terceiro mandato de Lula e seus limites.
Entre a esperança, a frustração e a necessidade de retomar sonhos
Como já afirmamos em resoluções anteriores, o terceiro mandato de Lula (PT) buscou reproduzir as características dos seus primeiros mandatos entre 2003 e 2010, isto é, governar nos limites da ordem política e econômica neoliberal e, nas frestas, desenvolver políticas setoriais com maior ativismo estatal. Porém, a herança dos governos Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PSL/PL), de desmanche do Estado e da legislação social e trabalhista, impôs muitos limites para a reprodução da “fórmula” anterior. Somado a isso, opções estruturais do governo como o Arcabouço Fiscal – que impõe limites para impulsionar um modelo de desenvolvimento nacional com viés popular –, a governabilidade conservadora – constituída a partir de “maioria” parlamentar através de cessão de espaços no aparato estatal – e a autonomia do Banco Central (BC), onde as taxas de juros se mantiveram em níveis absurdamente altos durante todo o governo Lula.
Apesar das melhorias nos indicadores sociais (desemprego, extrema-pobreza, renda do trabalho, inflação etc.), as condições de vida continuaram muito difíceis. O nível elevado dos preços dos alimentos (mesmo que a inflação dos alimentos tenha sido menor); a precariedade no trabalho; o endividamento das famílias; os problemas da violência urbana e os limites da retomada das políticas públicas cobraram seu preço nessa eleição. Para piorar, tivemos o desastre econômico e social causado pelas bets.
Lula (PT) chegou a esta eleição com dois grandes adversários: a candidatura de extrema-direita de Flávio Bolsonaro (PL) e o saldo negativo na avaliação do governo, onde a avaliação “ruim/péssima” está superior à avaliação “bom/ótimo”. É preciso considerar também a crise do Supremo Tribunal Federal (STF), que impactou negativamente a campanha.
As avaliações da fragilidade da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) se mostraram superestimadas. Apesar da resistência inicial e do relativo isolamento do PL, que não se coligou oficialmente com nenhum partido da direita, o setor mais orgânico da extrema-direita uniu-se em torno dele e recuperou terreno. Embora sua rejeição seja levemente maior que a de Lula, ambas em patamar elevado, os escândalos dos esquemas do Banco Master não tiveram os impactos esperados na campanha.
A campanha de Lula (PT) mostrou-se excessivamente apegada ao passado, à defesa das limitadas ações de políticas sociais compensatórias, sem mudanças estruturais e sem apresentar propostas de mudanças profundas de enfrentamento do “sistema” que pudessem motivar racional e emocionalmente o povo para um futuro realmente melhor.
O abandono de uma defesa forte da soberania nacional, com o enfrentamento das ações imperialistas de Trump, mostrando de modo concreto seus impactos para a vida do povo e desenvolvimento do Brasil, foi um erro que prejudicou a afirmação de um combate ao discurso ideológico supostamente “patriótico” e demagógico do candidato neofascista.
A leve mudança de eixo político, com algumas medidas mais fortes (ou menos moderadas) com iniciativas tomadas, de última hora, pelo governo para ganhar popularidade nas mulheres, nos setores de baixa renda e no Nordeste surtiram algum efeito e permitiu leve recuperação nas últimas semanas do 1º turno, porém não foi suficiente para virar na frente para o 2º turno.
Direita cresce e esquerda estabiliza
A extrema-direita teve importante vitória na eleição para a Câmara dos Deputados e o Senado. Na Câmara, basicamente cresceu em cima do chamado “Centrão” (PSD, MDB e outros) e no Senado houve crescimento significativo que ainda carece de maior análise e cujos impactos são muito negativos para eventual governo Lula e para o STF. Nos partidos mais diretamente associados à extrema direita foram eleitos para a Câmara dos Deputados 121 do PL; 41 dos Republicanos e 10 do Novo, totalizando 172.
A direita que vem se alinhando com a extrema direita e já declarou apoio a Flávio Bolsonaro, representada sobretudo pela federação União Progressista, elegeu 87 deputados federais (46 do União Brasil e 41 do Partido Progressista), diminuindo 19 deputados em comparação com 2022.
Soma-se a essa direita o Missão, que elegeu 01 deputado federal, mas que até agora tem buscado manter distância do bolsonarismo.
O chamado “Centrão” elegeu 43 do PSD, 36 do MDB, 05 do Avante, 05 do Solidariedade e 05 do PRD, totalizando 94 deputados federais.
O campo que vai da esquerda à centro-esquerda social liberal elegeu 70 pelo PT, 11 pelo PC do B, 14 pelo PSOL, 15 pelo PSB, 06 pelo PDT e 01 pela Rede, totalizando 124, crescimento de 01 deputado em comparação com 2022.
No Senado, o PL passou a 28, os Republicanos passaram a 06 e o Novo a 03, totalizando 37 Senadores e Senadoras. União Progressista (União Brasil com 05 e PP com 6) chegou a 11 Senadores e Senadoras.
Outros setores mais dispersos da direita tiveram 02 do Podemos, 02 do PSDB, 08 do MDB e 05 do PSD, que reduziu 10 Senadores.
No campo de esquerda, PT elegeu 12, Rede elegeu 01; PSB passou de 04 para 05 e PDT elegeu 01, totalizando 18.
Os números acima mostram relativa estabilidade na Câmara dos Deputados nos números gerais (porém qualitativamente pior, pois a extrema-direita cresceu em cima do “Centrão”) e uma piora substantiva no Senado, o que nos imporá grandes desafios nos próximos anos.
A eleição de Flávio Bolsonaro será um duro golpe no que ainda se mantém de políticas de assistência e proteção social, previdenciária e as de saúde e educação. Significará um ataque sem tréguas à legislação trabalhista, já tão fragilizada, e às conquistas democráticas do povo trabalhador nos marcos da democracia liberal. Estimulará a retomada do garimpo em terras indígenas e amplos retrocessos na política ambiental e de combate às mudanças climáticas. Além disso, possibilitará à extrema direita neofascista, a partir da formação de maioria no Congresso Nacional (Câmara e Senado), destituir e constituir maioria no STF, STJ e TSE, além de dominar o MPF e a estrutura da Polícia Federal. Poderá reorganizar a cadeia de comando das Forças Armadas, reestabelecendo setores saudosistas da Ditadura Militar e que se envolveram com a tentativa de golpe de 2023. Será aberta a possibilidade de submissão do país aos interesses diretos dos EUA nas riquezas da nação. Fortalecerá também o eixo da extrema direita na América Latina e no mundo.
O que fazer? Mobilizar para reeleger Lula!
É preciso reconhecer que o terceiro Governo Lula ficou aquém das expectativas e que frustrou parte dos que o elegeu em 2022. Mas é preciso irmos à luta! O futuro do nosso país e do povo trabalhador está em jogo.
Vamos ocupar estações de ônibus, metrôs, centros comerciais, shoppings, escolas, universidades e bairros. Vamos conversar olhando nos olhos, oferecendo esperança de um outro país e perspectivas de luta para os próximos anos. Vamos ampliar e organizar melhor a disputa nas redes sociais, driblando os boicotes das big techs. Com ousadia, criatividade e empolgação vamos eleger Lula Presidente!
Ousando Lutar, Venceremos!
Coordenação Nacional da APS/PSOL









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